domingo, 17 de agosto de 2014

Aventuras na sala de leitura


Encontrei Dante e Sabino num animado bate-papo na sala de leitura.
Sabino dizia-lhe que mesmo das distantes Minas Gerais, conhecia bem a sua obra e sua Itália também.
Surpreso, Dante lhe perguntou o que era Minas Gerais.
Sabino, divertido e bem humorado, explica num mineirês sem pressas ou afetações:
- Minas não é o quê, mas onde, poeta. É um lugar especial que
produziu muito ouro, pedras preciosas e turmalinas também,
produziu muita Arte desde a Barroca com Aleijadinho, a Literária e,
em meio a todas as Artes, aquela que é a mais gostosa, que dá água
na boca, só de pensar nela!
- Arte deliciosa? Não compreendo...
- É a Arte Culinária, claro!
- Melhor que a francesa?
- Ah, não tem comparação! Pães, doces, bolos, leitão à pururuca, pão de queijo, tutu de feijão, farofa... E a cachacinha? Hmmm...
- Cachacinha?! O que é isso?
- É uma bebida, sabe? Está para Minas, como o vinho está para a
Itália. E posso te garantir que nem mesmo no Olimpo os deuses
provaram coisa melhor.
- Gostaria de conhecer esse lugar mágico. É possível? Onde fica?
- No sudeste do Brasil, meu caro.
- Como se chega lá?
- Trem, ônibus, carro...
- Navio não?
- Não, porque Minas não tem mar, mas tem belos e imponentes rios,
cachoeiras, é surpreendente, e i-nes-que-cí-vel!
- Quando partimos?
- Agora, poeta.
E acenando para mim com um divertido piscar de olho, os dois
sumiram, deixando-me maravilhada com as surpresas criadas pelos
escritores e as grandes viagens que a Literatura é capaz de nos
oferecer.

sábado, 2 de agosto de 2014

A história de um rio



Eu sou um rio, meu destino é navegar,
Procurando a direção, o caminho para o mar.
Eu sou amigo do peixinho, da floresta,
Minha vida é uma festa
ao barqueiro, ao pescador.
E se não me atrapalham o caminho,
Vou seguindo, vou contente,
Espalhando muito amor!

Mas tanta gente não gosta de mim...
E quando eu passo me tratam assim:
Me jogam latas, jogam roupas e calçados,
Jogam móveis e esteiras, detergentes e venenos!
Me jogam lixo, muito lixo e garrafas,
Que sufoco, tusso espirro, pouco a pouco
Vou morrendo...

Mas sinto raiva e fico mau!
Espalho a febre, a tosse, o vírus,
E um cheiro insuportável
 vou deixando em meu caminho.

Eu queria tanto, tanto um carinho...

E as crianças que são sempre os heróis
De toda história que tem aquele final feliz,
Limpam o rio, tiram latas, roupas, lixo
Que lhe causam tanto mal...
E oferecem as plantas d’água tão verdinhas
Que os girinos e peixinhos voltam logo a brincar,

E o rio torna-se amigo e camarada,
devolvendo à criançada um espaço de lazer
Vamos nós, numa ciranda tão bonita,
respeitar a natureza, nosso mundo de prazer!