-
O quê?!
-
É isso mesmo que você entendeu.
-
Ouvir é uma coisa. Entender é outra.
-
Quero que você me apresente para sua família, seus amigos, colegas... entendeu
agora?
Talvez
você pense que esse diálogo tenha se dado entre duas pessoas, o que seria algo
absolutamente normal, concorda?
Mas
está longe disso.
Aquela
conversa era entre mim e um livro ou melhor, um pretenso livro.
É.
Exatamente isso.
Ele
chegou, com todas as páginas em branco, uma capa sem graça, sem desenhos ou
letras e todo senhor de si, com uma prepotência irritante.
Um
livro com personalidade forte. Pode isso?
Fez-se
um silêncio estridente entre nós.
Nem
sei dizer o que senti. Sequer medi o tempo.
Ele
quebrou o silêncio.
-
E aí, o que você decidiu?
-
As palavras não vêm quando eu quero.
-
E eu não quero continuar desse jeito.
-
E se eu te apresentasse a outras pessoas? Tenho amigos escritores, sabia?
-
Mas eu escolhi você.
-
Nem sempre fazemos boas escolhas na vida. Concorda comigo?
-
Sabe o que eu acho?
-
Prefiro não saber.
-
Mas eu vou dizer assim mesmo: pra mim, você tem é medo.
-
Então procure alguém corajoso. Que tal?
Virou
a cara pro outro lado.
Tive
que rir...
- Desculpa, vai! Afinal, não é todo dia, nem
todo mundo (eu acho) que recebe em casa um livro falante.
-
Desculpas aceitas com uma condição.
-
Ai ai ai ai... lá vem encrenca!
-
Promete que vai me apresentar aos seus contatos.
-
E quem garante que eles vão gostar de você?
-
Eu garanto!
-
Se você em branco já é petulante assim, imagine como não será depois de
escrito...
-
???
-
Podemos começar amanhã?
-
Olha só o resultado da sua decisão.
E
quando eu o observei ele já apresentava significativas modificações na sua capa
que refletia um fulgor incrível!
Nenhum comentário:
Postar um comentário