sábado, 20 de setembro de 2014

Camisola Negra


Tem dias que a noite se veste
com uma camisola negra,
bordada de estrelas,
tão linda de se ver!
E acende o lampião do luar
para olhar-se no espelho
das águas do mar.
E assim, contemplativa,
qual diva sedutora que é,
envia mil olhares aos pares por aí,
perdidos na noite a namorar...
num clima de sabor, sem igual,
A música da vida se faz

Numa paz original.

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Sintese




Que encanto é esse,
Feito canto de mar,
Feito sol, jangadeiro,
Brilho no olhar...

Que silêncio é esse,
Feito noite no campo,
Lua-cheia, amplidão,
Pirilampo...

Que mistério é esse,
Feito verde de mata,
Passarinho, cigarra,
Riacho, cascata...

Que calor é esse,
Feito teto que abriga,
Feito pão, feito lar,
Feto e barriga...

Que ternura é essa,
Feito amantes no leito,
Feito filho mamando
No peito...

E que Mestre é esse,
De ditosa alegria,
A ensinar, sem escolas,
A sabedoria...

E que luz é essa
A surgir de mansinho,
Feito o Cristo em sermão
A mostrar o caminho...

Que magia é essa,
Que o pequeno agiganta,
Que inspira o poeta,
E o artista encanta?

E que força é essa,
Que supera a dor
É o Amor, é o Amor,
Ah! O Amor... 




domingo, 17 de agosto de 2014

Aventuras na sala de leitura


Encontrei Dante e Sabino num animado bate-papo na sala de leitura.
Sabino dizia-lhe que mesmo das distantes Minas Gerais, conhecia bem a sua obra e sua Itália também.
Surpreso, Dante lhe perguntou o que era Minas Gerais.
Sabino, divertido e bem humorado, explica num mineirês sem pressas ou afetações:
- Minas não é o quê, mas onde, poeta. É um lugar especial que
produziu muito ouro, pedras preciosas e turmalinas também,
produziu muita Arte desde a Barroca com Aleijadinho, a Literária e,
em meio a todas as Artes, aquela que é a mais gostosa, que dá água
na boca, só de pensar nela!
- Arte deliciosa? Não compreendo...
- É a Arte Culinária, claro!
- Melhor que a francesa?
- Ah, não tem comparação! Pães, doces, bolos, leitão à pururuca, pão de queijo, tutu de feijão, farofa... E a cachacinha? Hmmm...
- Cachacinha?! O que é isso?
- É uma bebida, sabe? Está para Minas, como o vinho está para a
Itália. E posso te garantir que nem mesmo no Olimpo os deuses
provaram coisa melhor.
- Gostaria de conhecer esse lugar mágico. É possível? Onde fica?
- No sudeste do Brasil, meu caro.
- Como se chega lá?
- Trem, ônibus, carro...
- Navio não?
- Não, porque Minas não tem mar, mas tem belos e imponentes rios,
cachoeiras, é surpreendente, e i-nes-que-cí-vel!
- Quando partimos?
- Agora, poeta.
E acenando para mim com um divertido piscar de olho, os dois
sumiram, deixando-me maravilhada com as surpresas criadas pelos
escritores e as grandes viagens que a Literatura é capaz de nos
oferecer.

sábado, 2 de agosto de 2014

A história de um rio



Eu sou um rio, meu destino é navegar,
Procurando a direção, o caminho para o mar.
Eu sou amigo do peixinho, da floresta,
Minha vida é uma festa
ao barqueiro, ao pescador.
E se não me atrapalham o caminho,
Vou seguindo, vou contente,
Espalhando muito amor!

Mas tanta gente não gosta de mim...
E quando eu passo me tratam assim:
Me jogam latas, jogam roupas e calçados,
Jogam móveis e esteiras, detergentes e venenos!
Me jogam lixo, muito lixo e garrafas,
Que sufoco, tusso espirro, pouco a pouco
Vou morrendo...

Mas sinto raiva e fico mau!
Espalho a febre, a tosse, o vírus,
E um cheiro insuportável
 vou deixando em meu caminho.

Eu queria tanto, tanto um carinho...

E as crianças que são sempre os heróis
De toda história que tem aquele final feliz,
Limpam o rio, tiram latas, roupas, lixo
Que lhe causam tanto mal...
E oferecem as plantas d’água tão verdinhas
Que os girinos e peixinhos voltam logo a brincar,

E o rio torna-se amigo e camarada,
devolvendo à criançada um espaço de lazer
Vamos nós, numa ciranda tão bonita,
respeitar a natureza, nosso mundo de prazer!

quarta-feira, 23 de julho de 2014

Branquinho e Buliçoso



Branquinho vivia num lugar enorme e até bem seguro, mas havia nascido com um grave problema: o medo.

Tinha medo de tudo! Do barulho, do vento, do escuro, das pessoas... sair, então, nem pensar!

Buliçoso, seu melhor amigo, lhe trazia água, pedaços de cenoura, raminhos de capim, para que ele não morresse de fome ou de sede, mas aconselhava:

- Branquinho, você precisa encarar o medo, senão vai acabar mal...

- Não consigo, Buliçoso! Não consigo! É mais forte que eu.

Um dia, Buliçoso ficou tão doente que não conseguia sequer levantar-se...
Branquinho, vendo o sofrimento do amigo, abriu a porta e saiu em busca do alimento e da água fresquinha que Buliçoso nunca se esquecera de trazer para ele.

O barulho da estrada fez seu coração disparar dentro do peito, o vento, soprando forte parecia querer arrancar seus longos pelos, mas ele, pensando apenas no amiguinho doente, esqueceu o medo que tanto o atormentava e trouxe tudo que era preciso para garantir a sobrevivência da vida.

Buliçoso recebeu tudo com muita alegria e disse com gratidão:

- Branquinho, meu amigo, muito obrigado pela preocupação comigo. Mas minha alegria maior é ver que você ficou bom da sua antiga doença: o medo. Quando o enfrentamos ele desaparece.

- O que é o medo, Buliçoso?

- É uma doença com cara de monstro, que adora ver todo mundo que acredita em seu poder, escondido em casa ou nas tocas. Mas quando a gente encara, enfrenta ele, o covarde foge e se esconde em outro lugar.

- Obrigado, amigo. Você me ajudou a me livrar desse monstrinho chato e bobo, mas assustador.

- Amanhã vamos brincar juntos lá fora, valeu?

- Valeu!

Fica a lição: quando nos doamos aos outros, esquecemos de nós mesmos superando assim os nossos medos e angústias.

segunda-feira, 14 de julho de 2014

Sinfonia divina



Os planetas, 
assim reunidos,
em circunvoluções 
na pauta do infinito,
Produzem acordes 
tão bonitos... 
        inesquecíveis 
aos nossos corações.

E Deus, 
o Maestro sublime,
rege incansavelmente,
a sinfonia infinda,
a melodia mais linda,
linda, linda,
que se chama...

                 VIDA!

sexta-feira, 4 de julho de 2014

Paixão vital




Eu me apaixonei por um cara
Tão bom, tão imenso, nem dá pra dizer...
Tão rico em talentos, em dons naturais,
E nem faz ideia de tanto poder!

Herdeiro de imensa fortuna,
É dono de praias, iguais nunca vi!
Montanhas, florestas, vastos coqueirais,
Incríveis cidades mandou construir.

Eu me apaixonei por um cara,
De olhos tão claros, de peito maciço,
Ao bronze do sol da América do Sul,
Cabelos macios, preguiça, feitiço.

De cheiro agreste e selvagem,
De origem tupi, de sangue latino,
Seu nome é Brasil! Pra que falar mais?
Brasil, meu menino, te amo demais!


Livro Coletânea de Poemas, Projeto Poesia na Escola pela Secretaria Municipal de Educação do Rio de Janeiro, em 1998