Eu sou um rio, meu destino é navegar,
Procurando a direção, o caminho para o mar.
Eu sou amigo do peixinho, da floresta,
Minha vida é uma festa
ao barqueiro, ao pescador.
E se não me atrapalham o caminho,
Vou seguindo, vou contente,
Espalhando muito amor!
Mas tanta gente não gosta de mim...
E quando eu passo me tratam assim:
Me jogam latas, jogam roupas e calçados,
Jogam móveis e esteiras, detergentes e venenos!
Me jogam lixo, muito lixo e garrafas,
Que sufoco, tusso espirro, pouco a pouco
Vou morrendo...
Mas sinto raiva e fico mau!
Espalho a febre, a tosse, o vírus,
E um cheiro insuportável
vou deixando em
meu caminho.
Eu queria tanto, tanto um carinho...
E as crianças que são sempre os heróis
De toda história que tem aquele final feliz,
Limpam o rio, tiram latas, roupas, lixo
Que lhe causam tanto mal...
E oferecem as plantas d’água tão verdinhas
Que os girinos e peixinhos voltam logo a brincar,
E o rio torna-se amigo e camarada,
devolvendo à criançada um espaço de lazer
Vamos nós, numa ciranda tão bonita,
respeitar a natureza, nosso mundo de prazer!