segunda-feira, 15 de agosto de 2016

Supremo bem


Trazes no olhar
a suavidade dos luares,
e nas mãos os bálsamos salutares
para os nossos corações...

Jesus,
supremo bem
de nossas vidas,
nossas almas redimidas
agradecem o Teu Amor.


segunda-feira, 25 de julho de 2016

Cartão de crédito


A mulher, aproveitando-se das circunstâncias, reduz o marido a pó!
O motivo?  Ele esquecera o cartão de crédito em casa e a compra teve que ser cancelada.
Não satisfeita em humilhá-lo no estabelecimento comercial, veio vociferando pelo caminho:
- Você não presta pra nada mesmo... Nem pra fazer a alegria do nosso neto, que espera pelo brinquedo há dias... E eu que ainda me fio em você... É bem feito pra minha cara!
Chegando em casa, acaba de despejar a raiva sobre a criança que brincava tranquilamente no balanço do quintal:
- O traste do seu avô, esqueceu o cartão em casa e você ficou sem seu brinquedo. Veja lá se não vai seguir o exemplo dele quando crescer também.
O marido, visivelmente amargurado, a cara amarrada, o velho arrependimento de não ter desfeito aquele casamento há anos, joga-se na poltrona da saleta e esconde o rosto entre as mãos.
O menino aproxima-se, o abraça com carinho e na simplicidade terna das crianças, fala com sabedoria:
- Vovô, só tem uma coisa que você não pode esquecer nunca!
E o avô, ainda mergulhado naquela atmosfera pesada, levanta a cabeça, sustenta o olhar da criança e pergunta com desalento:
- E o que pode ser mais importante do que um cartão de crédito, menino?

- A sua alegria, meu avô!

sexta-feira, 15 de julho de 2016

Poderes


O prefeito continuava falando ao telefone, em pé e de frente para a imensa e panorâmica janela de seu gabinete, embora tivesse autorizado a entrada de sua próxima entrevistada.
Quando após alguns arrastados minutos finalmente dignou-se a encerrar o telefonema e voltar-se para sua mesa, quase caiu!
A sua frente, uma linda mulher de cabelos negros e lisos, quase à cintura, emoldurando um rosto perfeito, com duas covinhas estonteantes esperava em silêncio e uma certa ironia no olhar.
O homem, sem conseguir disfarçar a própria surpresa, saiu tropeçando nas palavras.
- Desculpe-me, mas sabe como é vida de governante... Você é...
- Violeta. Decidi vir pessoalmente falar com o senhor porque, infelizmente, por telefone é impossível!
- Vou mandar investigar essa situação do telefone imediatamente. Mas em que posso ajudar?
- Recebi esta multa da prefeitura e este aviso para não exercer mais a minha profissão, disse ela girando o corpo para pegar o documento dentro da bolsa, enquanto o prefeito, sem a menor discrição, percorria com o olhar seu belo corpo moreno.
- Deve estar havendo algum engano, senhorita.
- Senhora.
- Perdoe-me, senhora. Do que se trata mesmo?
- Sou cartomante e o senhor proibiu a propaganda do meu trabalho. Mandou apagar o anúncio que paguei caro, para pintarem nos muros da cidade. Como as pessoas vão saber que eu existo, se eu não divulgar, senhor prefeito? O que o senhor tem contra a minha profissão?
- Eu?! Deve haver algum lamentável engano. Eu acredito em cartomancia. Vou até confiar-lhe um segredo: minha avó lia cartas.
- Mas por que tem que ser um segredo? Ler cartas é um dom, um privilégio. Se assim não fosse, todo mundo estaria apto a fazer isso. Ou o fato deve ser segredo por tratar-se da avó de uma autoridade?
- Sabe como são as questões políticas... muitas vezes temos que parecer o que não somos para não ferir interesses...
- Realmente eu nada sei sobre questões políticas, mas sei bastante da profissão que exerço e que preciso dela para sobreviver. Cartomantes pagam contas e impostos, e o senhor há de convir que os impostos que pagamos no Brasil, além de serem muitos, são altíssimos!
- Nem me fale! Mas pode deixar que vou ver com calma a sua situação.
- O prefeito me desculpe, mas eu preciso que o senhor RESOLVA a minha situação, e não a veja com calma. As contas podem até esperar, mas os juros não recebem ordens...
- Vamos resolver. Por acaso a Madame trouxe as suas cartas?
- Sim. Tenho um atendimento agendado para hoje a uma grande dama da sociedade e por isso as trouxe comigo.
- Grande dama da sociedade, é? Eu devo conhecer, com certeza. De quem se trata?
- Por questões éticas não posso, nem devo, revelar nomes.
O prefeito aciona o interfone e dá uma ordem à secretária:
- Estou em reunião.
- Sim senhor.
A cartomante forra uma parte da mesa presidencial com sua toalha de seda com pinturas emblemáticas, cobre os ombros com um belíssimo xale espanhol, retira o baralho de uma caixa recoberta em pedrarias exóticas, diz algumas palavras cabalísticas, coloca as cartas sobre a toalha e pede ao prefeito para cortar o baralho com a mão esquerda.
  Com os olhos ora fixos nas cartas, ora nos olhos daquele homem que comanda o destino de uma cidade enorme, mas, que, literalmente, agora está em suas mãos, ansiando por suas palavras e pelo seu corpo também, ela joga.
Responde a quase tudo que ele quer saber, menos que a alta dama da sociedade que dali a algumas horas ela atenderá em um local discreto e afastado do centro da grande cidade, trata-se de sua própria mulher...

“As cartas não mentem jamais!” Mas as cartomantes podem omitir o que não lhes convém revelar.

domingo, 19 de junho de 2016

O guarda chuva amarelo


Era mágico, mas creio que o vendedor não sabia! O sol forte obrigara-me a comprá-lo e em meio a tantos escolhi aquele: o amarelo!

Quando o abri, ah! Que beleza! Como uma tenda mágica ele mostrava belíssimos cenários: praias, montanhas, florestas, cidades inteiras e cada gente tão bonita que eu até me esqueci da vida e fiquei a admirar o pequeno objeto que eu comprara, apenas para me proteger do calor!

E lá fui eu sob meu guarda chuva amarelo que aos olhos dos outros era comum, mas, para mim, como era belo e como interagia comigo!

Quem passava por mim sequer imaginava que sob um simples guarda chuva ia alguém que sonhava e em cores, com irmãos mais distantes ou com todos os seus amores, simples assim!

No abrir de um guarda chuva ou guarda sol, como queiram, quantas luzes... Quanta gente, como se fosse uma grande feira e só com pessoas maneiras pensando e fazendo o Bem!


Como eu queria que todo mundo pudesse, como eu, encontrar um dia, o seu guarda chuva amarelo também!

domingo, 12 de junho de 2016

Acalanto

Esse teu corpo
lembra a rede mansa
que eu gosto tanto
de me enroscar...
E tua voz dizendo meu nome
parece acalanto a me embalar...
E esse teu olhar, não sei não,
- bonito como o sol na beira do mar -
é chama que me aquece o coração,
doidinho pra te amar...

Constatação



Então você tem um amor...

E afinal, quem não tem:
um segredo guardado, um desejo danado
de se ter um bem?
De sair por aí, em noites de lua pra namorar...
E um gostoso arrepio sentindo na pele
pela leveza de se entregar
ao falar amoroso, ao olhar carinhoso
do seu par!

segunda-feira, 6 de junho de 2016

Delírios


Madrugada alta, verão pleno, janela aberta,
sou despertada pela lua cheia que, delicada,
num jeito especial de quem não tem o costume
de fazer comentários maldosos sobre o que vê,
conta-me ao ouvido, alguns segredos alcoviteiros.
E eu, cúmplice, aquiesço e pisco o olho para ela.
Mas Hipnos, por ciúmes talvez,
toma-me novamente em seus braços           
raptando-me aos domínios de Morfeu.
Manhã bem cedinho, sob o sol encantador,
eu desperto e,  quem sabe, para sorte tua, 
me faço completamente esquecida
do que me contou a Lua.